NÃO PODEMOS PERDER AMIGOS !!!!!!
Numa pequena folha de papel em branco eu mergulhei os olhos e liberei o imaginário.
Recordei, um a um, os amigos que perdi ao longo de toda minha vida. Nao importando como os perdera: se por morte deles, se por nos perdermos na geografia ou se lhes magoei ou fui magoada a ponto de acharmos preferivel nos esquecer.
Pra cada nome que lembrava eu marcava um ponto azul naquela folha.
E notei que eram tantos que ao final daquela viagem pelos escombros das amizades, eu tinha formado um grande circulo de pontinhos.
Analisados um a um, ponto a ponto, eu descobri o leque de oportunidades que perdi. Nao dei chance a alguns, nao entendi a outros, nao perdoei a metade e nem fui perdoada pela outra metade.
Achei, de repente que; ja que nao me unira a nenhum daqueles pontos, deixando-os assim tao isolados, liguei-os uns aos outros no papel e avivei aquele circulo de amigos que deixei ou me deixaram. No papel, tal qual na vida, um circulo azul e um grande espaco em branco.
Foi ai que me veio a ideia de tentar ilusoriamente uma uniao entre nos. E no meio daquele circulo eu coloquei um ponto forte em tom vermelho. Chamei-o "tolerancia".
E comecei entao a viajar no "se". "Se" eu tivesse; "se" eu pudesse"; "se" eu fizesse; "se" eu quizesse e quanto mais verbos eu evocava mais humilhada fui ficando; descobrindo que, dadivas dos ceus me foram concedidas e, eu fui deixando cair pelo caminho, dando valor ao que hoje me sobra e nao me faz feliz.
Tivesse eu sido mais humilde, tivesse eu dado um passo a mais e esse circulo nao seria tao imenso e hoje, tao dificil aparar as arestas.
Assim como comigo se passa com toda Humanidade esta se passando. Eu sou apenas um pedaco que se expoe.
Pra diminuir a angustia fui puxando cada pontinho do circulo para o centro, e para evitar o acumulo de tinta, no mesmo ponto; retrato das nossas rusgas , nossas diferencas, eu decidi entao, cobrir as listras com a mesma cor vermelha.
Ao final, eu tinha uma folha com uma grande bola vermelha, meus amigos que deixei pra tras abracados uns aos outros, circulados por uma fina linha azul lembrando o ceu.
Finalmente, eu os reunira naquele papel e os prendi para guarda-los em minha lembranca. Aquela fotografia colorida foi o maximo que consegui extrair da infinita amargura que deixa o "levantamento simbolico" dos amigos que deixamos de conservar.
E nao ha matematica que possa explicar mil amigos que possamos ter para nos alegrar a vida, se a perda de um nos leva a uma imensa solidao.
0s amigos que perdemos hoje....... sao o retrato da nossa depressao amanha.
Nao deixemos escapar nenhuma chance de cativar nossos amigos; de tolera-los, de compreende-los como sao, de respeita-los.
Nao guarde no coracao nenhum ressentimento porque o custo disso eh a sozinhidao.
NINGUEM CONSEGUE SER FELIZ SOZINHO.
Vanjoft

