Desalento
Na minha solidão, me desespero,
me rastejo, me controlo,
Quero alento, quero colo,
Quero paz, quero aconchego.
Grito ao vento
Que sem tempo
Passa lento
Sinto medo.
Estou só. Até sem Deus me sinto.
Busco o nada
Na amplidão sem nada,
Numa escalada de agonia.
Horas me encontro,
Mas me desencontro
E a um canto
Em prantos
Nem vejo o passar dos dias.
me consome o cansaço,
E já trôpego e sem rumo
São meus passos, que me levam
A qualquer lugar.
E sigo, e prossigo
E não consigo raciocinar.
Qual solidão sem tréguas
Que me aniquila a alma,
Que sem paz rasteja o solo,
Onde me controlo e me descontrolo ,
Onde vivo triste, onde morro calmo!

